“Tira a mão do queixo, não penses mais nisso”.
Olha-me nos olhos. Observa a ambiguidade do que nos separa e aprecia a transversalidade do que nos une. Levanta-te e caminha, corre, persegue-me. Não dês importância ao pouco, ao tanto. Não me dou, partilho. Um toque de mãos, um sorriso trocado, a embriaguez da paixão.
Duas horas foram anos. Uma dissertação sentimental, uma abertura ingénua, uma cordialidade falhada. Sabes daquela cumplicidade inata? Aquela que fala por ti, que não te deixa esbracejar, que te agarra firmemente. Um leve beijo, um cheiro, um caminho.
Medíocre romancista, péssimo escritor. Conjugalidade falhada de aspectos fulcrais daquilo. Uma abstracção animada, uma imparcialidade inexistente. Não quero escolher, não posso e não o faço. Escolheste-me tu, arrancado do penedo, salvo da maleita doentia. Eu lá estava, tu lá chegaste. A mão na minha, o vento batendo na cara, o pestanejar abusivo, o bocejar inquieto. Deixa isso. Não ligues à pseudo complexidade do que escrevo, dá importância apenas à simplicidade do que sinto.
Levanta-te e corre, suspira, respira, expira. Sente, fala, transmite. Fica aqui, deixa o resto fechar.
Abre a janela, corre a persiana e vê o sol.
sexta-feira, 28 de janeiro de 2011
quinta-feira, 27 de janeiro de 2011
Bum.
Abanou-o e disse: “ acorda amor”. Abriu os olhos e uma pinga de suor alojou-se na ponta do nariz. Empurrou os lençóis e levantou-se. Olhou ao espelho o indivíduo que estava à sua frente. Molhou a cara e acalmou. Voltou para a cama e beijou a mulher.
No dia seguinte foi trabalhar e no caminho até ao escritório o sonho que o perturbava há mais de duas semanas fê-lo pensar. A protagonista era Madalena , assassinada numa loja de conveniência do bairro. Dois tiros, sem misericórdia. Ao inicio não deu muita importância, um sonho estranho só isso, mas agora e após tantos dias seguidos começava a sentir-se assustado. Nunca foi grande crente nas premonições e continuou com o seu cepticismo.
Depois das 5h, foi até a um café bastante movimentado na rua transversal à do gabinete. Sentou-se na primeira mesa que encontrou livre, acenou ao empregado, um jovem loiro de olhos verdes e mosca. Pediu um whisky sem gelo e aguardou. Diante de si, José Cardoso Pires. Perdeu-se nos detalhes, nas frases, nos parágrafos, nos capítulos intermináveis e na história mirabolante. Um, dois, três capítulos, regados com um, dois, três copos.
Perdera a noção do tempo, o relógio não parara. Deixou uma nota em cima da mesa e foi apressado para casa. Estranhamente vazia. Não cheirou o jantar, não ouviu o cantarolar da mulher, as luzes apagadas. Tentou ligar-lhe, não atendia. Um tiro!
Correu até à loja ao fundo da rua, não conseguia respirar e estava agora à espera do segundo tiro, o tal do sonho. Metros antes de chegar avistou a silhueta de dois homens através das janelas repletas de autocolantes de grandes marcas. Com um pontapé abriu a porta. Dois homens, de arma em punho. Madalena, estendida no chão puxou-o desesperadamente contra o seu peito, com um olhar. Alvejada no peito, rosto pálido, olhos semi fechados. A fúria foi mais capaz que a lógica insignificante perante aquela ataque. Saltou para cima de um deles, esmurrou-o, esbofeteou-o, levantou-se e com um pontapé fê-lo desmaiar. O outro, ignorou o esforço de poupar outra vida, encheu o peito de ar, repugnou-se com o branco que surrara o seu compincha e disparou. Segundo tiro.
No dia seguinte foi trabalhar e no caminho até ao escritório o sonho que o perturbava há mais de duas semanas fê-lo pensar. A protagonista era Madalena , assassinada numa loja de conveniência do bairro. Dois tiros, sem misericórdia. Ao inicio não deu muita importância, um sonho estranho só isso, mas agora e após tantos dias seguidos começava a sentir-se assustado. Nunca foi grande crente nas premonições e continuou com o seu cepticismo.
Depois das 5h, foi até a um café bastante movimentado na rua transversal à do gabinete. Sentou-se na primeira mesa que encontrou livre, acenou ao empregado, um jovem loiro de olhos verdes e mosca. Pediu um whisky sem gelo e aguardou. Diante de si, José Cardoso Pires. Perdeu-se nos detalhes, nas frases, nos parágrafos, nos capítulos intermináveis e na história mirabolante. Um, dois, três capítulos, regados com um, dois, três copos.
Perdera a noção do tempo, o relógio não parara. Deixou uma nota em cima da mesa e foi apressado para casa. Estranhamente vazia. Não cheirou o jantar, não ouviu o cantarolar da mulher, as luzes apagadas. Tentou ligar-lhe, não atendia. Um tiro!
Correu até à loja ao fundo da rua, não conseguia respirar e estava agora à espera do segundo tiro, o tal do sonho. Metros antes de chegar avistou a silhueta de dois homens através das janelas repletas de autocolantes de grandes marcas. Com um pontapé abriu a porta. Dois homens, de arma em punho. Madalena, estendida no chão puxou-o desesperadamente contra o seu peito, com um olhar. Alvejada no peito, rosto pálido, olhos semi fechados. A fúria foi mais capaz que a lógica insignificante perante aquela ataque. Saltou para cima de um deles, esmurrou-o, esbofeteou-o, levantou-se e com um pontapé fê-lo desmaiar. O outro, ignorou o esforço de poupar outra vida, encheu o peito de ar, repugnou-se com o branco que surrara o seu compincha e disparou. Segundo tiro.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Quadrado.
Copo gelado,
Intrínsecamente seguro.
Apoiado numa mesa quadrada,
uma quadratura vanguardista.
Golos sucessivos destroem as profundezas.
O sabor sentido pelas narinas largas,
a complexidade do copo,
ou a complexidade de quem lhe pega.
Pega, com a mão confiante.
Somente uma.
O incenso paira no ar,
viciado e gasto pelos meandros infamiliares.
Um copo.
Talvez o fosse, talvez não.
Intrínsecamente seguro.
Apoiado numa mesa quadrada,
uma quadratura vanguardista.
Golos sucessivos destroem as profundezas.
O sabor sentido pelas narinas largas,
a complexidade do copo,
ou a complexidade de quem lhe pega.
Pega, com a mão confiante.
Somente uma.
O incenso paira no ar,
viciado e gasto pelos meandros infamiliares.
Um copo.
Talvez o fosse, talvez não.
Boa noite.
Sentir o chão por baixo da sola dos sapatos, a postura correcta, o olhar em frente, os passos mecanizados. Primeiro o direito, de seguida o esquerdo… Livro na mão, de lombada azul escura. Às costas, uma mochila quase vazia, um adorno.
Entrou. Cheirava a uns quantos pós, eram-lhe familiares mas ignorou. Foi directo à Gibson, o modelo exacto que sempre quis. Com um elástico encarnado apanhou o cabelo longo, deixando cair junto aos olhos, uma ou duas tiras. Acorde, outro, e outro. Numa folha repleta de rabiscos, escreveu meia dúzia de versos, uma letra profunda, acompanhada por uma melodia fenomenal.
O cheiro semelhante ao tal, o familiar. O fumo e as luzes. O palco e o seu microfone. Choque de baquetas. E um, e dois…E um, e dois e três e… A tarola vibrava, os pratos dançavam. O baixista com um dedilhado nas cordas grossas. Um solo estonteante da guitarra. A sua voz.
O seu olhar parou numa jovem, morena, com um leve toque de batom. Deixou-a. Braços no ar, pingos de suor voavam, t-shirts negras com nomes de grandes bandas estampadas nas costas. Vibravam e o compasso da bateria ia direito aos ouvidos esfomeados.
Palco vazio, luz apagada.
Entrou. Cheirava a uns quantos pós, eram-lhe familiares mas ignorou. Foi directo à Gibson, o modelo exacto que sempre quis. Com um elástico encarnado apanhou o cabelo longo, deixando cair junto aos olhos, uma ou duas tiras. Acorde, outro, e outro. Numa folha repleta de rabiscos, escreveu meia dúzia de versos, uma letra profunda, acompanhada por uma melodia fenomenal.
O cheiro semelhante ao tal, o familiar. O fumo e as luzes. O palco e o seu microfone. Choque de baquetas. E um, e dois…E um, e dois e três e… A tarola vibrava, os pratos dançavam. O baixista com um dedilhado nas cordas grossas. Um solo estonteante da guitarra. A sua voz.
O seu olhar parou numa jovem, morena, com um leve toque de batom. Deixou-a. Braços no ar, pingos de suor voavam, t-shirts negras com nomes de grandes bandas estampadas nas costas. Vibravam e o compasso da bateria ia direito aos ouvidos esfomeados.
Palco vazio, luz apagada.
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