quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Bum.

Abanou-o e disse: “ acorda amor”. Abriu os olhos e uma pinga de suor alojou-se na ponta do nariz. Empurrou os lençóis e levantou-se. Olhou ao espelho o indivíduo que estava à sua frente. Molhou a cara e acalmou. Voltou para a cama e beijou a mulher.

No dia seguinte foi trabalhar e no caminho até ao escritório o sonho que o perturbava há mais de duas semanas fê-lo pensar. A protagonista era Madalena , assassinada numa loja de conveniência do bairro. Dois tiros, sem misericórdia. Ao inicio não deu muita importância, um sonho estranho só isso, mas agora e após tantos dias seguidos começava a sentir-se assustado. Nunca foi grande crente nas premonições e continuou com o seu cepticismo.

Depois das 5h, foi até a um café bastante movimentado na rua transversal à do gabinete. Sentou-se na primeira mesa que encontrou livre, acenou ao empregado, um jovem loiro de olhos verdes e mosca. Pediu um whisky sem gelo e aguardou. Diante de si, José Cardoso Pires. Perdeu-se nos detalhes, nas frases, nos parágrafos, nos capítulos intermináveis e na história mirabolante. Um, dois, três capítulos, regados com um, dois, três copos.
Perdera a noção do tempo, o relógio não parara. Deixou uma nota em cima da mesa e foi apressado para casa. Estranhamente vazia. Não cheirou o jantar, não ouviu o cantarolar da mulher, as luzes apagadas. Tentou ligar-lhe, não atendia. Um tiro!

Correu até à loja ao fundo da rua, não conseguia respirar e estava agora à espera do segundo tiro, o tal do sonho. Metros antes de chegar avistou a silhueta de dois homens através das janelas repletas de autocolantes de grandes marcas. Com um pontapé abriu a porta. Dois homens, de arma em punho. Madalena, estendida no chão puxou-o desesperadamente contra o seu peito, com um olhar. Alvejada no peito, rosto pálido, olhos semi fechados. A fúria foi mais capaz que a lógica insignificante perante aquela ataque. Saltou para cima de um deles, esmurrou-o, esbofeteou-o, levantou-se e com um pontapé fê-lo desmaiar. O outro, ignorou o esforço de poupar outra vida, encheu o peito de ar, repugnou-se com o branco que surrara o seu compincha e disparou. Segundo tiro.

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